sábado, 3 de julho de 2010

Capitulos Atuais - numero 5 (o 4 esta por ser escrito)


Victor seguiu para o seu destino. Um encontro consigo mesmo: vencer medos, ultrapassar mais uma barreira de sua vida, que veio especialmente naquele que é seu melhor momento da vida, ate mesmo porque seria a hora certa dele se segurar e poder seguir seu caminho, e continuar a vivenciar tudo que esta sentindo durante esses meses, e que ele espera que se tornem anos, décadas e todas as medidas temporais possíveis e imagináveis. Quando saiu, Luana disse a ele que estaria indo junto, que a sua essência estava sendo carregada com ele para que a confiança não fosse abalada de forma alguma. E ao tomar assento, a cadeira vaga quando o ônibus seguiu viagem já era um prenuncio de que ela realmente estava com ele mais do que os dois pudessem imaginar quando disseram isso um ao outro antes disso. Na viagem, a paisagem do Pantanal trazia a Victor a tranqüilidade que precisava, aliado ao pensamento sempre focado em sua mulher, sem essas coisas de trivialidades oficiosas. Tratava-se de uma união de almas: Victor é de Luana, assim como Luana é de Victor, o que os permitem chamar um ao outro de homem e de mulher, sem qualquer priorização documental, afinal o amor que nutriam é muito mais importante que qualquer papel. A cada hora que passava, e no balanço do ônibus o sono não se preocupou em chegar, e da mesma forma, o fato de estar acordado não lhe causou qualquer tipo de cansaço alem daquele que seu corpo já calejado das viagens esta acostumado. Mas ao chegar , a sensação era diferente...

Ele estava acostumado a chegar à Capital e buscar logo seu hotel, que quase sempre era o mesmo, aquele em que ele haveria de gastar um bom tempo com o recepcionista para poder usar a internet e matar as saudades de Luana. Dessa vez o caminho era diferenciado, ainda teria algum tempo para poder almoçar e enfim se encaminhar ao hospital onde começaria sua internação e os procedimentos pré operatórios. Nesse ínterim almoçou e, evidentemente, através de telefonemas e mensagens, conversou com Luana que mais uma vez retomou os votos de confiança de que tudo daria certo, e éo que ela sentia desde o inicio.Poucas vezes Luana se sentiu temerosa em relação a essa cirurgia, e quando assim se sentiu procurou ao Maximo deixar Victor tranqüilo em relação a isso, já que para ele, um amedrontamento repentino poderia lhe deixar nervoso, e atrapalhar todo o ambiente para uma questão tão delicada quanto um procedimento cirúrgico. Isso não quer dizer que,internamente, a cabeça de Luana esta totalmente tranqüila com relação a isso: uma questão tão séria como essa a deixou com expectativas, mas sempre conduzindo seus pensamentos para que o resultado desse processo fosse o melhor possível.

Victor ao chegar no hospital recebeu antes de qualquer exame a carga mais extenuante de qualquer internação: a burocracia – documentos, descrição de objetos pessoais e... a retenção de alguns deles. Quiseram reter seu telefone celular, praticamente a única forma de comunicação entre ele e Luana durante todos esses dias. A política do hospital não permitia a gravação de quaisquer tipo de informação do recinto, e o celular de Victor tem câmera digital e gravadores de áudio e vídeo, o que pode ser uma “arma” na opinião dos gestores da instalação hospitalar. Diante disso, muita conversa foi necessária ate que ele pudesse ficar com o celular, com o comprometimento que quaisquer tipo de imagem, nem mesmo dele mesmo no hospital pudesse ser feita. E assim levou consigo celular, o relógio de pulso e duas mudas de roupa para o quarto. Discretamente, Victor adorou não ter de vestir aquelas roupas, se é que assim pode se chamar, de hospital. Aquelas, praticamente, frente única, que são frequentemente vistas em qualquer esquete de humor que envolva hospital. E o quarto era bem arejado, e bem aconchegante também, mas por ora preferiria ficar no saguão interno do hospital, onde a maioria dos pacientes também gostavam de ficar, dado o movimento, que animava o ambiente.

Notou também na ala infantil, a presença de alguns computadores e perguntou como fazer para usa-los... era preciso entrar na fila, e não a tinha visto pequena ate então.Um enfermeiro lhe diz que à noite a freqüência era menor e que talvez poderia ficar mais do que a meia-hora prevista para cada paciente que ocupasse a estação digital. E ele sorriu.

Não seriam so sorrisos os últimos exames antes da operação. Quando passou pelo ultimo exame de ultrassom a indisposição causada pelo contraste o fez ter náuseas, e um certo desconforto, mas que logo sumiram quando pode encontrar a estação digital com computadores disponíveis e mais do que isso, conseguiu falar com a sua Luh. Isso o fez ter um sono muito mais aconchegante e bem melhor preparado para a cirurgia que durante meses rondou sua cabeça.. desde a duvida se faria ou não, se conseguiria passar por ela com a perseverança que sempre lhe foi peculiar e ate mesmo na possibilidade de dar errado, no que fazer, se é que se poderia fazer algo. A certeza mesmo era de quem estava com ele, mais próximo ate do que seu amigo, que morava na capital e fez companhia a ele.O que lhe confortava e fortalecia era a presença viva de Luana em sua essência, com ela se sente mais completo, mais ele, e ele nunca foi de desistir.

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