E assim foram passando os dias, e a vontade de se ver de Victor e Luana cada vez aumentando mais. Sem perceberem, já se viam todos os dias e discutiam os mais variados assuntos. Das coisas mais complexas, como interpretar certas situações ocorridas em relacionamentos deles mesmos ou de outras pessoas, onde as historias acabavam tendo algo em comum com suas historias de vida ou das mais corriqueiras como o que estava passando na televisão, o que poderia inclusive gerar uma intensa conversa sobre o comportamento dos personagens do filme que estivessem assistindo. Realmente importante é que eles estivessem conversando, se vendo, da forma que fosse possível.
De forma natural foram estreitando a relação, contando coisas de suas vidas, situações ocorridas durante o dia, de forma bem mais intima do que talvez tratassem alguns amigos que conheçam desde sempre. Havia uma intimidade natural que deixava as conversas sempre muito leves e com muito conteúdo, o que também os faziam perder o tempo , e volta e meia quando olhavam o relógio já estava bem mais tarde do que o convencional para as pessoas que não tinham uma conversa tão interessante para desfrutar. E aí começaram, de brincadeira a se tratar por apelidos carinhosos... numa bela manhã proporcionaram uma verdadeira miscelânea de tratamentos dos mais carinhosos aos mais bem humorados como: caroço da minha azeitona, tampa torta da minha panela, calda do meu pudim (esse pegaria por um longo tempo), limão da minha caipirinha... e um adendo especial – certa hora a Luana chamou o Victor de “formiguinha da minha roupa”... ai começa a primeira pagina onde realmente um dos dois, ainda que em forma de brincadeira, acabou por insinuar alguma vontade ou desejo em relação ao outro. Victor respondeu que tinha gostado muito de ser essa formiguinha, ainda em tom de brincadeira, sem a insinuação real de desejar Luana, ainda que no seu interior ele já sentisse vontade de estar cada vez mais junto daquela mulher. Eis que Luana o chama de “danado” – um outro adjetivo que será muito usado nessa historia – e a troca de apelidos continuou ate chegar em leite condensado do meu pudim, vindo de Luana, algo meloso demais pra passar sem ser notado pelo coração já em fase de derretimento de Victor.
O fato mais interessante é que era uma troca de carinhos de segunda a sexta. Luana sempre saia nos finais de semana, passava fora ou não acessava a internet. Com o tepo, Victor Tb já não esperava muito nesses dias, so dava umas bisbilhotadas em sua pagina no Orkut, ligava o MSN por habito e mal conversava com alguém. Na verdade nem tentava, já que quem o interessava mesmo não estava La... até que num belo dia de domingo a historia deu uma senhora reviravolta. Victor foi acessar seu MSN como fazia todo final de semana, apenas pra dizer que havia ligado, quando se deparou com Luana disponível para bate papo. Ele achou estranho demais ela estar ali justamente nesse dia, num domingo, quando nunca ficava “on”. Começaram a conversar sobre os assuntos de sempre, ate que Victor resolveu tocar no assunto “nós”.
Nada de novo entre eles, falarem deles mesmos, inclusive da satisfação que era conversar um com o outro, isso era ate corriqueiro de ocorrer, já que constantemente, a brincadeira entre eles, era de Luana sempre dizer que não perderia mais o Victor de vista, e o Victor dizendo que era impossível de não ver a Luana disponível so de pensar em quanta coisa eles poderiam dividir. Na verdade nenhum deles dava a torcer que estavam se apaixonando, embora tudo que eles fizessem ao outro parecesse interessante, mais do que se qualquer pessoa tivesse feito. A exclusividade então era algo a ser cultivado entre eles. Sempre perguntavam se estavam exclusivos no MSN, ou seja, so a janela da conversa deles aberta. Quando isso acontecia, era motivo de comemoração.
Mas dessa vez o assunto tinha mais conteúdo a ser discutido. Começaram a perceber o quanto as coisas estavam diferentes depois que os dois se conheceram. As idas mais freqüentes ao computador, as horas de conversação, mesmo com a sensação de que apenas 15 minutinhos haviam se passado, e a sensação de dormir e acordar sempre acompanhados. Ele dela e ela dele. Emoticons de sorrisos rasgados ou de alegria amplamente usados, sem pudor algum, e sempre algum carinho, mesmo que acompanhado de uma frase bem humorada, estava contido nas palavras ditas por Victor e Luana.
Luana acabou não citando naquele dia o principal fato, que Victor so viria saber tempos depois: ao contrario do que ela havia falado (que o dia estava chovoso, e por isso não havia saído) naquele Domingo, na verdade, o motivo de estar ao computador era procurar pela companhia do Victor...
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